07 maio, 2006

HITORIAS QUE A HISTORIA NÃO CONTA 2º

Não me recordo porque razão nessa manhã de 24 de Abril não me dirigi ao Dondo, Onde estava sediado o centro de instrução dos grupos especiais e o centro de instrução da Defesa Civil dos Caminhos-de-ferro de Moçambique.

Vivia num dos melhores prédios da cidade da Beira não só pela localização mas pelo estilo de construção.

Era propriedade de um Chinês o belo imóvel de seis andares e 48 apartamentos, eu vivia no terceiro andar no que hoje se chama um T 3 que servia não só para mim mas para dar abrigo a algum amigo que pela cidade passasse.

No rés-do-chão havia de um lado o Serviço Nacional de Emprego e do Outro lado a Mexicana. Uma pastelaria que podia-se dizer do melhor em qualquer parte do mundo.

A primeira com portas controladas com células fotoeléctricas e um serviço fora de série.

Normalmente era lá que tomava o tal mata-bicho.

Nessa manhã fui muito mais tarde por volta das 10 da manhã. O Dr. Palhinha ainda lá estava e foi ele que me disse o que se passava.

Dr. Palhinha era formado em matemática, e por razões politicas lã foi parar a Moçambique como o então Zeca Afonso que nos fins de 60 lá nos buscava quando o ordenado já tinha voado na compra de soruma ou o tinha compartido com os seus amigos. Vi em primeira-mão alguns grandes êxitos do Zeca O que mais me cativou foi o tal do meu menino é de ouro, escrito na mesa da minha sala de jantar depois de um banho de banheira e esperando que a roupa se secasse, Pois o Pedro, (empregado lá de casa) tinha a lavado por estar em estado lastimável.

Não por tentar dar nas vista, mas por seguir uma linha de justiça, na minha forma de ser, consegui a simpatia de varias pessoas, que viam em mim não um militar a mais mas um homem que se orgulhava do que fazia e não fugia à responsabilidade dos seus erros.

Um dos pontos que mais pessoas me olhavam foi o problema dos padres holandeses.

Nessa altura ainda frequentava a igreja católica com uma convicção de cem por cento.

Certo domingo, como muitos antecedentes fui a missa. Não sabia que haveria uma cerimónia de promessas de um grupo de Escuteiros.

Quando o grupo se preparava para entrar na igreja com suas bandeiras e guiões, o padre que mal falava português, dirigiu a um miúdo que levava a Bandeira Nacional e disse = ESSE PANO AQUI NÃO ENTRA =

As pessoas olharam umas para as outras e a mim pegou-me o inferno. O que se segui poucos se lembraram, ate os bombeiros foram chamados para acamar os ânimos e limpar sangue.

Nesse mesmo dia tiveram de abandonar a cidade pois a coisa estava mesmo a crescer.

A minha relação com o Dr. Palhinha baseava-se na crítica de uma colonização de 500 anos de exploração por alguns, da igreja católica e da incompetência dos representantes do Governo português.

Sabíamos que a situação não podia durar para muito, a Frelime estava com grandes problemas económicos, e a União Soviética estava a dar as ultimas pois o que já tinha invertido nada ainda tinha recebido.

Tudo indicava pelas informações dos desertores da Frelime que estava em vias de se desmoronar pela falta de condições económicas.

A economia que ainda mantinha os guerrilheiros saída do interior de Moçambique, algum dinheiro e comida que as populações a força do medo compartilhava.

O exército da Frelime estava desfalcado.

Conhecíamos do plano de formar uma confederação de estados Autónomos depois da caída do Governo em que Marcelo Caetano, com seu consentimento e sabia-se que depois de uma reunião em que ele Marcelo teve em França com Álvaro Cunhal, Mário Soares e Cardiga concordaram, que as províncias ultramarinas passariam a ser autónomas durante um espaço de tempo indeterminado, até a sua auto-suficientes.

Almeida Santos redigiu os estatutos, que mais tarde só vieram a servir para a Madeira e Açores.

Palhinha estava feliz. Eu mais temeroso pois sabia que o que levara o 25 de Abril era o medo dos oficiais do quadro pois estavam em numero inferior aos milicianos e o não só o receio a morte como o de grandes problemas no seio de muitas famílias onde o adultério era notório.

Sepinola não era o mais indicado, pois tinha relações com quem o viria a trair Costa Gomes um dos maiores covardes que conheci.

A formação de governo com Mário Soares como ministro dos negócios estrangeiros foi o fim de um plano e um acerto de contas com a União Soviética

26 abril, 2006

HISTORIAS QUE A HISTORIA NÃO CONTA, 1ª

Tinha pensado e mesmo prometido que jamais falaria nisto; mas como tenho visto tanta asneira, tanta mentira, e tanta incoerência, que a voz da minha verdade é mais alta que a minha promessa.

O MEU VINTE CINCO DE ABRIL.

O meu 25 de Abril começa no ano de 1961, quando aluno do Liceu de Ponta Delgada. Não era bom aluno; mas travesso com já registo e sobre vista de alguém que se tornou meu amigo mas era Agente da então DGS.

Fiz parte de um grupo, onde também andava por lá Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Borges Coutinho e outros com menos ESTRELATO que desapareceram da vida politica.

Este grupo reunia-se numa falsa do que era então o Externato do Infante, para ouvir as descrições de Melo Antunes que tinha regressado de Africa Precisamente Angola.

As descrições deste Senhor para mim davam-me a ideia de fantasiosas.

A minha primeira ideia é que com o passar dos anos não teria de ir para o ultramar, pois ainda me faltava muito tempo para atingir a idade de ingressar no serviço militar.

Quem era Melo Antunes?

Melo Antunes era um oficial do Quadro de militares que chega aos Açores no após guerra. Solteiro e como era costumo na época não sei se caçou ou foi caçado casando com uma senhora de um certo nível social elevado, tornando-se assim um amigo de S. Miguel.

Jaime Gama, aluno distinto do Liceu de Ponta Delgada, filho do Capitão Gama, que também casou nos Açores à sombra de dote.

Medeiros Ferreira, filho de um cabo da Guarda-fiscal e bolseiro da então Mocidade Portuguesa, onde o referido era um membro activo que chegou mesmo a desempenhar posição de relevo no mesmo organismo.

Borges Coutinho com titulo de Marques da Praia mas de um carácter de esquerda bem reconhecido por todos.

As descrições de Melo Antunes a todos nos deixava uma certa revolta, se bem, que nos Açores não se vivia sobre uma tensão que dizem ter vivido no continente.

Nos Açores como todos sabem agora, porque nessa altura muitos não sabiam são nove ilhas separadas pelo mar, nem mesmo os mais cultos, pois é historia que alguém nas altas esferas militares mandou seguir um contingente militar de S. Miguel para a Terceira, via ordinária ou seja a pé.

Era impossível transitar de ilha para ilha sem um termo de responsabilidade de alguém que nos recebesse na outra ilha. Em fim vivíamos como Deus cria e a Sua Santa Igreja, diziam eles. Aos catorze anos fui interrogado por ter afirmado numa reunião de carácter religioso onde se pedia dinheiro para enviar aos pretinhos em Africa, que dar esmola era fomentar a miséria.

Ficamos por aqui.

Os anos passaram muito mais rápido do que eu queria e lá fui bater com os ossos em Africa.

O meu primeiro contacto com os pretos foi horrível, Lembrei-me de Melo Antunes. Muito poucos falavam português e os que falavam era mal. Nunca ninguém me disse que eles tinha língua própria, como era ali Portugal deviam falar português, enganaram-me. Bem sabia que os continentais sobre os Açores pouco ou nada sabiam, ao ponto de se espantarem de ser branco.

Conheci Portugal desde os Açores a Macau, esta parte já muito recentemente.

Moçambique foi onde o 25 de Abril me apanhou.

Ao fim de algum tempo apaixonei-me pelo serviço militarizado, não por uma defesa de integridade nacional, mas por uma necessidade de auxiliar os mais desprotegidos, neste caso os autóctones

20 abril, 2006

AS MAQUINAS NÃO PERDOAM

Tenho nos últimos dias visto ao longo de alguns blogs referencia a morte de um jovem de 22 anos num acidente de carro.

Não deixo de dizer que é mesmo lamentável a sua morte; mas quem não respeita a vida não tem outra saída.

Já tive 22 anos também, altura essa que era carne de canhão, assim como os colegas da minha idade; mas tive a sorte ou o azar de ter de aprender a manobrar uma maquina que tinha varias centenas de cavalos de força e umas asas. Maquina essa que já tinha feito a guerra de Argélia e talvez a da Coreia.

Tinha quase a minha idade de vida. Porem um dia ao falar com o meu avo numa altura que fui a casa de ferias e falávamos sobre a máquina que eu manobrava e me dava a única sensação de liberdade quando pelos ares andava, ele me disse:- Olha meu filho, se faltares ao respeito a uma mulher, o que te pode suceder e levares um estalo; mas se faltares ao respeito a uma máquina, ela mata-te.

As máquinas não deixam passar a falta de respeito por elas, nem perdoam, matamquem não respeita os seus lemites.

13 abril, 2006

POR ISSO ME AFASTEI DA MANADA

Vaticano actualiza lista dos pecados modernos
Passar muitas horas a ver televisão, fazer buscas na Internet ou simplesmente ler o jornal são actividades consideradas pelo Vaticano como «novos pecados», de acordo com a nova orientação enunciada pelo cardeal Francis Stafford.

O delegado do Papa apresentou uma série de perguntas a que os fiéis devem responder, em exame de consciência, antes de se aproximarem do sacramento da penitência.

Dessas questões fazem parte a forma como se passa o tempo, exemplificando-se o caso do tempo dispendido com os media em comparação com o tempo a «meditar e a ler a sagrada escritura».

Logo, passar muito tempo a ler jornais, ver televisão e navegar na Internet diminui a fé cristã.

13-04-2006 11:57:29

30 março, 2006

A MINHA LUVA DE PELICA

O tempo que nos resta
De súbito sabemos que é já tarde.
Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas
e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos.
Que não será aqui a nossa festa.
De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos.
De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos.
A solidão deixou de ser um nome apenas; Mas uma realidade palpável.
Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói.
Dói tanto!
E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor,
e que à nossa volta quase todos sofrem e são, e estão sós.
Temos de ter, necessariamente, uma alma.
Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo?
Rimos e sabemos que não é verdade.
Falamos e sabemos que não somos nós quem fala.
Já não acreditamos naquilo que todos dizem.
Os jornais caem-nos das mãos.
Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm.
Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos.
Como os outros.
Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente.
Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco.
Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante
onde temos uma herança de nobreza a receber, conforme o merecido
O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa.
Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante.
E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado.
Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído,
uma vontade grande de não mais ter medo,
o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda.
E perguntar o caminho.
Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos,
de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos.
E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos.
As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo.
Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores e sangue alheios
E o fundo de nós vomita para frente do nosso olhar aquelas coisas
que fizemos e tínhamos tentado esquecer.
São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras,
que se agitam numa dança animalesca.
Não as queremos, mas estão cá dentro.
São obra nossa.
Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece,
mas sabemos que também isso é um ponto da viagem
e que não nos podemos deter aí.
Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas.
Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início.
Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate.
Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir...
Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons.
De complicar a vida.
De dar até que comece a doer-nos.
E, depois, continuar até que doa mais.
Até que doa tudo.
Não queremos perder nem mais uma gota de alegria,
nem mais um fio de sol na alma,
nem mais um instante do tempo que nos resta.
E a viagem siga o seu percurso natural, para uma nova dimensão

22 março, 2006

Veias entupidas

Despertei com um mau gosto na boca alem de a sentir demasiado seca.
Olhos pesados desejando dormir.
Ouço vozes mas por inércia nem sei o que respondo.
Uma voz conhecida que me diz pai já tudo terminou. Correu tudo bem.
Voltei a adormecer não sei por quantas horas.
Não senti dores mas estava coberto com único lençol.
Tubos vários, dois por baixo das vértebras flutuantes, um no meia das vértebras do lado esquerdo dois fios eléctricos que entravam pela pele dentro no meio do peito e vão não sei aonde. Uma algalia metida para não ter de me mexer do dito quando a bexiga der sinal de cheia. No pescoço sinto que também há lá algo que parece mais uma estaca do que uma agulha o peito coberto com uma fita-cola transparente a cobrir alguns pontos. Quantos nem ideia.
O medico aparece e diz-me conseguimos desbloquear uma as outras duas nada foi possível fazer.
Isto foi o resultado de muito prazer o cigarro, disse o médico.
Agora muito cuidado com a comida o exercício fisico diário é importante.
Nem respondo, simplesmente penso.
Penso que fui gémeo ao nascer. Ele o outro, morreu não resistiu a esta vida e eu?
Eu já nasci três vezes mas só uma fui parido.
Ainda cá estou no meio das amizades sem saber quando um dia sem que alguém dê conta hei-de adormecer para sempre

16 março, 2006

ó assim são os amigos

GENTE QUE EU GOSTO

Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno,
idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.
Gosto de gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um
telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de
carinho, um abraço, um afago.
Gosto de gente que ama e cultiva saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os
animais.
Admira paisagens, a poeira; e escuta.
Gosto de gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras,
Compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si,
Emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser!
Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos
Difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.
Gosto de gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer
sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um
analfabeto.
Gosto de gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos.
Com muito AMOR dentro de si.
Gosto de gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes,
tirando lições dos erros e fazendo redentora suas lágrimas e sofrimentos.
Gosto muito de gente assim